Sindhorb-BH faz um balanço do setor em 2018



O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte (Sindhorb-BH), da Federação dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Minas Gerais (Fhoremg) e da Associação Mineira de Bares, Restaurantes, Hotéis e Lanchonetes (Amibar), Paulo Cesar Marcondes Pedrosa, fez um balanço do setor em 2018 e está muito otimista de que 2019 será melhor do que no ano passado. Na oportunidade, ele falou que será necessário trabalhar muito para resgatar a confiança e satisfação de toda a cadeia produtiva do setor. Leia a entrevista abaixo.
Com as mudanças previstas para a economia brasileira a partir do novo governo federal em 2019, quais as suas expectativas para o setor de bares, hotéis, restaurantes e similares, já que a economia brasileira ainda se encontra em dificuldades?
A expectativa é boa para todo o Estado de Minas Gerais. Sempre um novo governo traz esperança para o setor. Vivemos a pior crise dos últimos 30 anos, assim posso dizer. Tenho a convicção de que Belo Horizonte voltará a ser “a capital dos bares”. Atualmente, a cidade possui 13.000 bares, restaurantes, hotéis e lanchonetes. Esse dado é importante porque alguns veículos de imprensa estão informando que gira em torno de 23.000 pontos de venda, o que não é verdade. A cidade não tem mar, tem bar. Precisamos investir, principalmente, no Turismo Cultural, de Negócio, Religioso, Esportivo e de Lazer. Passamos um momento muito delicado em 2018 e, em 2019, espero uma taxa de 7% de crescimento na taxa de ocupação e de faturamento, o que será uma grande vitória para o setor.    

A indicação do Deputado mineiro, Marcelo Álvaro Antônio, para ser ministro do Turismo, agradou a cadeia produtiva do setor, já que para a maioria faltava um político mineiro na lista do ministério. Como o Sindhorb recebeu a notícia?
Tanto a Fhoremg, Sindhorb e Amibar, receberam muito bem a notícia. Trata-se de um ex-vereador e ex-deputado estadual e federal, com uma história relevante para Belo Horizonte e Minas Gerais. Foi bem recebido pelo setor de turismo, inclusive tivemos uma reunião com ele e tenho certeza que vai fazer um trabalho não somente pelo desenvolvimento do turismo nacional, mas também com uma atenção especial ao Estado de Minas Gerais. Além disso, valorizar a Embratur e o Conselho Nacional de Turismo, enfim, sermos mais receptivo também com o turismo externo. Temos que aumentar esse péssimo número de 6 milhões de turistas estrangeiros, anualmente, o que é muito pouco para um país das dimensões, de uma natureza exuberante e uma cultura rica, como é o Brasil. A nossa expectativa é de chegarmos a 8 milhões/ano já em  2019.

O senhor acha que o novo governo será mais liberal, ou seja, menos interferência na vida do cidadão e focar somente naquilo que é necessário?
O novo governo, conforme tem anunciado os seus ministros, pretende tomar algumas medidas que podem beneficiar os brasileiros, tais como, reduzir a carga tributária para voltar a gerar empregos e melhorar a renda do trabalhador. O brasileiro não suporta mais aumento de impostos. Também existe a expectativa de aumentar a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais. Outra medida importante seria acabar com a multa de 10% da rescisão do contrato de trabalho que não vai para o trabalhador e sim para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Multas essas que oneram o contrato de trabalho. Além disso, valorizar o salário mínimo e o poder de compra do trabalhador, que sempre gera um pouco de crescimento do país.

As Reformas da Previdência e Tributária serão os maiores desafios do próximo governo ou terão outros desafios?
Além dessas reformas, existe a questão do imposto único que sempre foi reivindicado pelos micros e pequenos empresários. A Reforma da Previdência é extremamente necessária e teria que acontecer mais cedo ou mais tarde. O déficit não está somente nos pagamentos legais, mas também nas aposentadorias ilegais, em que muitas pessoas não poderiam estar recebendo. É por isso que são realizados um pente-fino, anualmente, para detectarem as inúmeras fraudes. Sou contra o aumento do limite de idade para aposentadoria, como o governo está planejando. Na minha opinião, o reajuste para o aposentado deveria ser o mesmo do IPCA, por exemplo, já que a cada ano ele perde o seu poder de compra.

Com a reforma do Minascentro e a ocupação frequente do Expominas, os hotéis da região Oeste estão sendo beneficiados. O governo não deveria investir mais para que Belo Horizonte volte a ter status de capital de negócios e os hotéis de outras regiões também sejam beneficiados?
Quando se fala em privilegiar determinada região, temos que analisar o que pode ser feito em outras regiões para que haja ocupação nos hotéis. Por exemplo, na região de Venda Nova, Jaraguá e Pampulha, temos mais de 15 hotéis, mas precisamos da reativação do aeroporto da Pampulha para que esses hotéis voltem a ocupar os seus leitos. É claro que temos que olhar para toda a cidade. É preciso revitalizar o entorno da Lagoa da Pampulha, o Terminal Turístico JK, a construção de uma nova Rodoviária, uma plataforma de embarque e desembarque de turistas em Venda Nova e no Barreiro, enfim, obras essenciais que acabam refletindo no aumento de turistas para a cidade.

Recentemente a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou três portarias, homologando as adaptações feitas na pista do Aeroporto da Pampulha. Porém, para voltar a operar, precisa da autorização do Tribunal de Contas da União (TCU). Porque o senhor é a favor da reativação do aeroporto?
Disse várias vezes que sou a favor da reativação para incrementar o turismo, sobretudo o de negócios. A pista do aeroporto tem mais de dois mil metros de comprimento (vale ressaltar que a área técnica da Anac não encontrou restrições para a volta dos voos de grande porte). Muitas capitais têm dois aeroportos e Belo Horizonte está perdendo espaço para outras capitais. Estamos na contramão do crescimento do turismo de negócio em relação a outras capitais. Não entendo porque precisa de autorização do TCU para a sua reabertura. Fico triste em saber que algumas entidades ligadas ao turismo se posicionam contra a reabertura do Aeroporto da Pampulha. O que estamos reivindicando são alguns voos diários, por exemplo, a ponte aérea ida e volta (BH / Rio de Janeiro-São Paulo-Vitória-Brasília).  

Qual o pedido que o senhor faria ao novo governador de Minas gerais para o setor que representa?
Desejo que ele possa nomear as pessoas competentes para a secretaria de Turismo, com o objetivo de trabalhar para o desenvolvimento do turismo de negócios, que é o grande gerador de empregos e renda. Inclusive o governador é dessa opinião, afirmando ainda que o setor não polui e é a grande riqueza do nosso Estado. Outro pedido é que reformule totalmente o Conselho Estadual de Turismo.

Qual a importância que a hotelaria está ocupando no crescimento do Turismo interno e externo brasileiro e no desenvolvimento do país?
A hotelaria mineira e brasileira em geral não deve nada à Europa, América do Norte, África e demais continentes. Volto a dizer que precisamos investir forte no turismo receptivo, ou seja, trazer turistas do exterior para o nosso país. A meta é aumentarmos de 6 para 10 milhões de turistas estrangeiros, anualmente.  

A gastronomia em BH é um segmento que chama a atenção dos turistas, movimentando a economia e gerando emprego e renda. O que fazer para o negócio prosperar e não fechar as portas?
Os carros-chefes da gastronomia em Minas Gerais são o Feijão Tropeiro, Frango com Quiabo e ao Molho Pardo, Tutu, Torresmo e algumas outras comidas. Os maiores festivais da Gastronomia acontecem aqui. Vamos buscar o apoio da prefeitura e dos governos estadual e federal, no sentido de aumentar esses eventos para que o setor da Gastronomia em Minas Gerais possa se destacar cada vez mais e assim evitar o fechamento de empresas do setor.

Quais os projetos do Sindhorb que serão executados em 2019?
Temos vários projetos em andamento. O grande desafio será treinar e capacitar a nossa mão-de-obra. Realizaremos cursos de Qualificação, Treinamento e elaboração de alguns programas de Festivais da Gastronomia Mineira.